Grãos de Areia

Grãos de Areia

 

Meus escritos são como grãos de areia, invisíveis entre outros, mas individuais, como eu.



Diário
02/11/2009 22h50
Meus mortos
Meus mortos
1- Maria Fernandes Alves, a primeira - minha avó branquinha e velhinha. Morreu aos cinquenta e seis anos. Sentíamos uma pela outra um amor incondicional. Nunca entendi porque com tantos netos, era de mim, a atrapalhada, de quem ela mais gostava e declarava gostar. De mim e do primo Amauri.Penso nela quase todos os dias embora já façam muitos anos que ela morreu. Ela costumava me visitar depois de morta. Não era sonho, nem era invenção. Era ela quem se sentava na beira da minha cama, ou ao meu lado no sofá. Eu nunca tive medo dela. 

2 - Geraldo Melo, meu pai. Fisicamente somos iguais. Minha tia Clarita costuma dizer que herdei dele aquilo que considero a nossa melhor qualidade. Não importa que qualidade é essa, o que importa é que foi ele que me ensinou a ser como sou. A ter essa qualidade.Uma única vez eu o senti depois da morte: segurando a minha mão, dando forças.

3- José Tarcizio Alves de Melo- meu irmão. Sempre fomos unidos. Sonhei com ele uma vez e foi um sonho lindo: eu o vi, do outro lado da cerca de sua casa, em um campo de flores amarelas, indo para não sei onde - ele se virou sorrindo e me deu adeus.

4- Silvio Ronaldo Alves de Melo - meu irmão. Morreu em 2008 e eu ainda não me recuperei. Eu o vejo em todos os lugares por onde um dia ele passou. Sentado a mesa de nossa cozinha, encostado na mureta perto da Padaria, andando pela rua. Dói, dói demais ainda.

5_ Meus tios, irmão de minha mãe. Sofri por todos: Ulisses, José,Amélia,Benedito e Francisco. Esse último foi o pior. Meu amigo de infância, pouco mais velho do que eu. Vivemos juntos mil aventuras.Levei dois anos para acordar e não sentir dor. Ele também me visitava. Eu o via nos lugares mais estranhos. Acordada ou dormindo.
6- Sofri também pelo Kelsey, filho de minha tia Amélia. È duro ver um adolescente morrer de leucemia. A sua morte transformou a vida da minha tia em morta-viva. Ela não resistiu muito.E também a pequena Juliana, filha de minha prima Aimée. Juliana, pequenina, morreu de câncer. Foi duro para todos acompanhar seu sofrimento.
7- Outros parentes são lembrados, amigos. E pessoas que alegraram a minha vida, ou mudaram a vida de muitos de nós. A eles só posso desejar que a morte não lhes tenha sido pesada. E torcer para reencontrá-los um dia, aqui ou lá. De uma forma ou de outra. Sendo quem sou, ou não.
 

Publicado por Maria Olimpia Alves de Melo em 02/11/2009 às 22h50
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