Grãos de Areia

Grãos de Areia

 

Meus escritos são como grãos de areia, invisíveis entre outros, mas individuais, como eu.



Diário
22/01/2010 00h08
Presente
Recebi de meu amigo Wilson, companheiro de escrita do Recanto das Letras este texto que muito me emocionou. Resolvi trazê-lo para a minha escrivaninha  não só para me gabar de ter feito um amigo assim como também para homenageá-lo.

OLIMPIA !
 
            Tem certas coisas que eu gosto de planejar nos mínimos detalhes. Entretanto, tem outras, várias, que deixo que  aconteçam com naturalidade, de forma espontânea , com muitos atalhos e sem nenhuma curva.
           Creio que seria dessa forma que idealizaria  minha visita a uma pessoa querida, amada, respeitada, famosa e, porque não dizer, uma de minhas queridas mestras.
              Ela é mineira como eu e , sem nenhuma dúvida,  param por aí as nossas semelhanças. Ela é magnifica cozinheira e eu, verdadeiro desastre na cozinha.
           Ela é uma escritora e poetisa talentosa e  genial e eu, apenas um perito em redigir tolas tolices. Ela mora numa adorável e linda cidade do interior mineiro e eu, me escondo aqui numa grande cidade, recheada de enormes  farsas e ultrajantes mentiras.
               Estou planejando uma visita ao sul de Minas no próximo ano. A patroa me incentiva e vai me acompanhar. E aí, nesta fuga da cidade grande, vou passar por Lavras e procura-la.
              Tenho certeza de  que ela é conhecidíssima. Qualquer um vai me informar como localiza-la. Inclusive as crianças de creches e jardins de infância. Até aí, planejamento absoluto, nos mínimos detalhes.
                A partir daí, deixo que as coisas aconteçam naturalmente, espontaneamente, sem curvas e  com muitos atalhos.
                Possivelmente  a primeira coisa que ela vai fazer  é  me olhar de cima abaixo. Talvez me ache menor do que imaginava. Também pudera ! Só tenho um metro e setenta.
                Talvez reconheça meu óculos. Também pudera, meu óculos já é conhecidíssimo pelos que leem minhas croniquetas e neste caso,  estou me referindo a minha meia duzia de leitores.
              E possível que se surpreenda com minha voz. Muitas vezes nos surpreendemos com as vozes daqueles que conhecemos pela primeira vez. Para que ela se refaça da surpresa vou estender minha mão e exclamar : ” Oh, como você é mais bonita pessoalmente !”.
              É claro que a patroa não vai se zangar pois sabe perfeitamente que sou assim mesmo, espontâneo, amigo , desses que não esconde quando gosta de alguém.
                Não vou estranhar se ela me convidar a entrar na sua casa e, como toda boa mineira, vai me oferecer um gostoso cafezinho. Só não sei se também vai me oferecer pão de queijo mas, se não o fizer, tudo bem, mais tarde  gente compra numa padaria.
            Depois das primeiras goladas, aí, mais relaxados e à vontade, vamos começar a contar nossos “causos”, dar boas risadas, tomar mais um cafezinho, mais “causos “ e  a uma determinada hora, ela vai me pedir licença para dar uma chegadinha a sua cozinha.
               Como foi surpreendida com minha inesperada presença, não teve tempo de preparar um lauto almoço mas ainda assim, vai improvisar. Os mineiros são assim.
                 Simples, hospitaleiros e se ofendem com facilidade se a gente recusa um convite para um almoço. Da sala vai dar para ouvir brulho de panelas, água lavando pratos e pouco depois ela volta, nos brinda com um sorriso que é só dela, e, novamente voltamos a prosear, o que só vamos  interromper quando escutarmos  o apito da panela de pressão.
               Com ela não dá para ver o tempo passar. E olha  que o tempo passa  rápido  ! Enfim, o almoço é servido.
              A tipica comida  mineira, um requinte temperado com próprias mãos e estilo especifico  dessa mineira que, repito, não tem quem não goste.
               Não que eu queira prever o futuro ou, voltar ao ritmo do planejamento meticuloso mas creio que umas duas ou três horas depois do almoço, um doce em calda como sobremesa e mais um maravilhoso cafezinho, vamos nos levantar para as despedidas.
                Nesse ponto, já completamente à vontade, vamos nos dar um um longo e carinhoso abraço e  então, ficaria consolidada uma linda amizade.
               A patroa não vai perder a oportunidade de trocar algumas receitas com ela bem como, vai insistir para que numa oportunidade nesses próximos feriadões, se o tempo e suas atividades permitirem, ela talvez nos visite aqui nessa cidade grande.
                Vou olhar para trás para dar um último adeus e tocar  o carro em direção a estrada pensando com meus botões : “Meus Deus, por que ainda não me mudei para uma  pequena grande cidade ?”
                                                

(….Maria Olimpia Alves de Melo, uma das joias da cidade de Lavras, em Minas Gerais, o que narrei acima, é a milionésima parte do prazer que vou sentir
nessa futura (quem sabe quando ?)  visita que farei a sua cidade.  Você é dessas pessoas, dessas amigas que a gente não pode perder  a oportunidade de ver de perto e dar um forte abraço.....mineiro de preferencia...)


Além de tudo o presente veio acompanhado desse lindo buquê de flores.

 
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Publicado por Maria Olimpia Alves de Melo em 22/01/2010 às 00h08
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